Ainda lembro
Não lembro exatamente da primeira vez que te vi. Mas sei de cada detalhe da primeira vez que te notei de verdade. Você fazia uma faxina sem camisa lá em casa— palpitações. Seu dorso torneado, seus lábios rosados e seus olhos cheios de brilho. Você estava lindo. Mas sua beleza estava longe de ser só física: vinha daquele seu sorriso largo, escancarado, de quem encara a vida como piada, mesmo quando o mundo desaba. Da maneira como seu corpo se movia, relaxado, como se dissesse ao universo: “estou aqui e nada mais importa.” Havia algo descomplicado em você. E, ao mesmo tempo, cheio de camadas. A forma como você pedia desculpas por coisas bobas — um gesto fora de época, um resquício de delicadeza que já não se vê. A sua necessidade de agradar me acordando com um café da manhã que parecia de um hotel. Esse hiato entre sua autoconfiança e suas pequenas hesitações criava uma espécie de vertigem — um brilho trêmulo — que tornava você ainda mais bonito. Você usava jeans e...