Enquanto isso me estende a mão
Enquanto isso — esse tempo em que quase tudo parece em suspenso, entre o que foi e o que nunca chegou a ser — me estende a mão.
Não precisa vir com palavras bonitas, nem com explicações organizadas. Se você se cala, eu entendo. Silêncio, às vezes, é excesso. Não ausência.
E tem gente que carrega tanto por dentro, que o corpo inteiro vira uma tentativa de contenção. Só que, mesmo sem dizer, há coisas que podem ser sentidas.E eu sinto. Sinto que você guarda mais do que mostra.E que talvez não saiba como entregar o que não foi ensinado a compartilhar.
Mas ainda assim, eu te peço: confia um pouquinho de ti a mim. Não precisa ser inteiro. Não precisa ser coerente. Pode ser desconexo, contraditório, bagunçado desde que seja seu.
Chamo de jogo unilateral essa dança em que só um se move. Em que só um escreve, fala, tenta. Mas não é porque eu ando atrás de “belas coisas simples” que continuo aqui. É o contrário. É porque eu acredito na beleza que há no imperfeito, no hesitante, no que ainda não sabe o que é.
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