Verdades que contam mentiras: redes, mídia e narrativas de poder

Verdades que contam mentiras: redes, mídia e narrativas de poder


Max Fischer investiga como o caos virou produto.


1-A Engenharia do Engajamento Tóxico: No livro A Máquina do Caos, um jornalista investiga como as redes sociais deixaram de ser plataformas neutras para se tornarem mecanismos viciantes de desinformação, polarização e manipulação emocional.


O autor mostra como Facebook, YouTube e Twitter usam algoritmos projetados para explodir nosso engajamento, favorecendo conteúdos que emocionam, provocam choque ou revolta independentemente do impacto social real. Eles priorizam o que nos indigna, nos assusta ou nos excita, independentemente da veracidade — e isso tem consequências trágicas.


As plataformas não são apenas reflexo da sociedade, elas redefinem comportamentos, crenças e consciências, tornando a informação viral bem mais poderosa e perigosa 


2. A Rota da Desinformação: Postagens inflamadas, fake news e teorias conspiratórias se espalham como fogo em palha seca. Esse “combustível emocional” monta verdadeiros túneis de ódio que alimentam polarização e violência global. O massacre de Mianmar foi um dos casos mais emblemáticos, onde uma fake news viral sobre um grupo étnico minoritário desencadeou uma perseguição em massa e mortes reais. O caos não é apenas metáfora: ele é fabricado, alimentado e monetizado.


3. Motivação, Atenção, Design: A Arquitetura do Vício: O modelo MAD (Motivação, Atenção, Design) mostra como somos manipulados:


Motivação por dopamina das curtidas;

Atenção pela urgência constante;

Design que valoriza o confronto e apropriação emocional().

O impacto? Grupos socialmente instáveis, confiança corroída e democracia abaladas.


4. Grande mídia e redes sociais: guerra de narrativas:


Por outro lado a grande mídia deve ser vista com ressalvas também. Ela obedece aos interesses dos super ricos, conta mentiras com verdade e está longe de ser imparcial. Inclusive o jornalismo entrou nas redes sociais com uma promessa: aumentar o alcance, atrair audiência rápida e gerar receita com cliques.

Mas ao descobrir que notícias não eram prioridade — que o conteúdo emocional, polarizador e espetaculoso gerava mais engajamento — passou a criticar ferozmente as plataformas, acusando-as de desinformar, sabotar a verdade com algoritmos e enfraquecer a checagem.


Essa crítica é justa, mas carrega também certo ressentimento oportunista: o jornalismo, que quis surfar na onda, hoje denuncia a maré que o afoga.

Isso não deixa de tornar A Máquina do Caos um livro necessário. 


5. Jornalismo: quando a verdade serve a uma mentira:


Costumamos acreditar que o jornalismo profissional é mais confiável porque passa por checagem, investigação e responsabilidade legal. Em geral, isso é verdade. Mas o problema não é só o erro — é o uso estratégico da verdade para contar uma mentira maior.


O famoso comercial da Folha de S. Paulo ilustra isso de forma exemplar: enumera realizações de Adolf Hitler com dados verdadeiros, para no fim revelar a armadilha: “É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade.”


6. Exemplo: manchetes verdadeiras, mas manipuladoras:


Imagine esses dois títulos sobre o mesmo dado:


“O PIB do Brasil cresceu 1,5%.”

“O Brasil teve o maior crescimento da América Latina.


Ambos são verdadeiros — mas o segundo sugere um desempenho excelente, ocultando que 1,5% é, na prática, um crescimento baixo. A manipulação não está no dado, mas no enquadramento.


7.  O oportunismo digital: um exemplo ilustrativo:


Além disso as instituições de mídia nem sempre checam fatos antes de amplificar. Em um exemplo recente, uma influenciadora brasileira se apresentou nas redes como astronauta da NASA, viralizou com imagens bem produzidas, foi reconhecida por veículos e até entrou para listas de prestígio. Depois, a NASA desmentiu o vínculo.


8. Conclusão: a disputa não é apenas por dados, mas por versões:


Hoje, redes sociais, grandes veículos e influenciadores disputam não apenas a atenção — mas a autoridade sobre a verdade.

A pergunta deixou de ser “isso é real?” e passou a ser: quem está contando, a serviço de quê?


Por isso é preciso aprender a ler as entrelinhas:


Nem toda mentira vem com erro. Algumas vêm com dados corretos e intenções tortas.


Nem toda mentira vem com erro. Algumas vêm com dados corretos e intenções tortas. que contam mentiras: redes, mídia e narrativas de poder


No livro A Máquina do Caos, um jornalista investiga como as redes sociais deixaram de ser plataformas neutras para se tornarem mecanismos viciantes de desinformação, polarização e manipulação emocional.

O autor mostra como Facebook, YouTube e Twitter usam algoritmos projetados para explodir nosso engajamento, favorecendo conteúdos que emocionam, provocam choque ou revolta independentemente do impacto social real. Eles priorizam o que nos indigna, nos assusta ou nos excita, independentemente da veracidade — e isso tem consequências trágicas.


As plataformas não são apenas reflexo da sociedade — elas redefinem comportamentos, crenças e consciências, tornando a informação viral bem mais poderosa e perigosa 


Postagens inflamadas, fake news e teorias conspiratórias se espalham como fogo em palha seca. Esse “combustível emocional” monta verdadeiros túneis de ódio que alimentam polarização e violência global — como no caso de Mianmar e Sri Lanka. O massacre de Mianmar foi um dos casos mais impactantes, onde uma fake news viral sobre um grupo étnico minoritário desencadeou uma perseguição em massa e mortes reais. O caos não é apenas metáfora: ele é fabricado, alimentado e monetizado.


O modelo MAD (Motivação, Atenção, Design) mostra como somos manipulados:


Motivação por dopamina das curtidas;

Atenção pela urgência constante;

Design que valoriza o confronto e apropriação emocional().

O impacto? Grupos socialmente instáveis, confiança corroída e democracia abaladas.



📱 Grande mídia e redes sociais: guerra de narrativas 


Por outro lado a grande mídia deve ser vista com ressalvas também. Ela obedece aos interesses dos super ricos, conta mentiras com verdade e está longe de ser imparcial. Inclusive o jornalismo entrou nas redes sociais com uma promessa: aumentar o alcance, atrair audiência rápida e gerar receita com cliques.

Mas ao descobrir que notícias não eram prioridade — que o conteúdo emocional, polarizador e espetaculoso gerava mais engajamento — passou a criticar ferozmente as plataformas, acusando-as de desinformar, sabotar a verdade com algoritmos e enfraquecer a checagem.


Essa crítica é justa, mas carrega também certo ressentimento oportunista: o jornalismo, que quis surfar na onda, hoje denuncia a maré que o afoga.

Isso não deixa de tornar A Máquina do Caos um livro necessário. 



📉 Jornalismo: quando a verdade serve a uma mentira


Costumamos acreditar que o jornalismo profissional é mais confiável porque passa por checagem, investigação e responsabilidade legal. Em geral, isso é verdade. Mas o problema não é só o erro — é o uso estratégico da verdade para contar uma mentira maior.


O famoso comercial da Folha de S. Paulo ilustra isso de forma exemplar: enumera realizações de Adolf Hitler com dados verdadeiros, para no fim revelar a armadilha: “É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade.”



🎯 Exemplo: manchetes verdadeiras, mas manipuladoras


Imagine esses dois títulos sobre o mesmo dado:


“O PIB do Brasil cresceu 1,5%.”

“O Brasil teve o maior crescimento da América Latina.


Ambos são verdadeiros — mas o segundo sugere um desempenho excelente, ocultando que 1,5% é, na prática, um crescimento baixo. A manipulação não está no dado, mas no enquadramento.



🛰️ O oportunismo digital: um exemplo ilustrativo


Além disso as instituições de mídia nem sempre checam fatos antes de amplificar. Em um exemplo recente, uma influenciadora brasileira se apresentou nas redes como astronauta da NASA, viralizou com imagens bem produzidas, foi reconhecida por veículos e até entrou para listas de prestígio. Depois, a NASA desmentiu o vínculo.



📺 Conclusão: a disputa não é apenas por dados, mas por versões


Hoje, redes sociais, grandes veículos e influenciadores disputam não apenas a atenção — mas a autoridade sobre a verdade.

A pergunta deixou de ser “isso é real?” e passou a ser: quem está contando, a serviço de quê?


Por isso é preciso aprender a ler as entrelinhas:


Nem toda mentira vem com erro. Algumas vêm com dados corretos e intenções tortas.


E toda vez que a mídia entrevista o rico como sábio e o pobre como ameaça, ela não está só informando. Está escolhendo um lado.


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