Taxar os Super-Ricos: Justiça, Não Vingança

Taxar os Super-Ricos: Justiça, Não Vingança


A reforma que o Brasil precisa e a elite teme


Por Daniel Carvalho 


1. Um sistema que pune os pobres e protege os bilionários


No Brasil, uma manicure pode pagar até 27,5% de imposto de renda. Já um bilionário que vive de dividendos paga… zero. Desde 1995, lucros e dividendos estão isentos de tributação. Nenhum governo teve coragem de reverter essa distorção gritante.


Enquanto isso, produtos básicos como arroz, feijão, gás e energia elétrica têm impostos embutidos que pesam no bolso de quem ganha menos. O resultado? Um sistema regressivo, que cobra mais de quem tem menos e alivia quem já tem demais.


2. O mito da “fuga de capitais”


Sempre que se propõe tributar grandes fortunas, lucros e heranças bilionárias, a elite e seus porta-vozes repetem o mesmo mantra:

“Se fizer isso, os ricos vão embora.”


Mas essa ameaça não se sustenta.


Países como França, Alemanha, Canadá e Estados Unidos tributam lucros e heranças — e não colapsaram por isso. Usam esses recursos para garantir saúde, educação, moradia e dignidade à população.


Quem ameaça fugir ao ser chamado a contribuir nunca esteve comprometido com o país. Estava comprometido apenas com seu privilégio.


3. Um Congresso refém dos privilegiados


A resistência à justiça tributária no Brasil não é técnica. É política.


Boa parte do Congresso é financiada por bancos, grandes corporações, latifundiários e setores que lucram com a desigualdade. Esses grupos têm representantes diretos no Parlamento — e são eles que travam qualquer proposta de taxação dos super-ricos.


Usam termos como “livre iniciativa” e “segurança jurídica” para defender o indefensável: o direito de continuar acumulando sem limite, sem transparência e sem contribuição justa.


4. Justiça fiscal não é vingança. É democracia.


Tributar os super-ricos não é punição. Não é ódio de classe. Não é “radicalismo de esquerda”.


É simplesmente justiça.


Em qualquer país sério, quem ganha mais, contribui mais. Porque há um pacto coletivo. Uma compreensão de que viver em sociedade exige equilíbrio.


O Brasil não vai superar sua desigualdade com caridade ou meritocracia. Vai superar com políticas públicas sustentadas por uma tributação justa — que pare de pesar no prato do pobre para poupar o jatinho do milionário.


5. Sem justiça fiscal, não há justiça social


Taxar os super-ricos é uma escolha política. E adiar essa escolha é manter o abismo que separa o Brasil real do Brasil oficial.


Não há democracia plena enquanto a conta do país recai sempre sobre os mesmos ombros.

Não há justiça social sem justiça fiscal.

E não há justiça fiscal enquanto os bilionários forem blindados por um Congresso que representa o topo da pirâmide — e não sua base.

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