Rússia x Ucrânia: A Guerra Começa Muito Antes do Primeiro Tiro
Rússia x Ucrânia: A Guerra Começa Muito Antes do Primeiro Tiro
O que não te contaram sobre OTAN, golpe e geopolítica do medo
Por Daniel Carvalho
1. Um documentário silenciado
Ucrânia em Chamas é um filme que não estreou nos streamings populares, não aparecerá na versão oficial dos fatos contada pela inteligência artificial, nem passou na sua televisão. Circula nos cantos da internet como um documento incômodo. Nele, a Revolução Ucraniana de 2014, celebrada como um levante democrático, é denunciada como um golpe de Estado arquitetado com apoio direto dos EUA. O longa mostra a atuação de ONGs financiadas por Washington, gravações de telefonemas diplomáticos e o envolvimento de grupos neonazistas. A tese central: os EUA promoveram o caos para instalar um governo pró-Ocidente e enfraquecer a Rússia.
2. E se for verdade?
Essa visão não é isolada. É respaldada por uma série de intelectuais, jornalistas, economistas como John Mearsheimer e Noam Chomsky. Além disso são muitos os exemplos em que os EUA e seus aliados atuam com intervenções, golpes e mudanças de regime em países que resistem à sua hegemonia.
Até mesmo figuras como Elon Musk já admitiram, com cinismo brutal, que o Ocidente interveio diretamente com um golpe na Bolívia. A declaração
“Derrubamos quem quisermos! Aceitem isso.”, feita após críticas sobre o golpe contra Evo Morales, escancarou o quanto os discursos sobre democracia podem ser apenas camuflagem para interesses econômicos como o controle do lítio boliviano.
3. Chomsky e outras vozes dissidentes
Muitos não acreditam na história contada pelos noticiários e repetida pelos governos ocidentais. Ao redor do mundo, intelectuais, jornalistas e diplomatas têm alertado que há mais camadas nesse conflito e que o papel dos EUA está longe de ser inocente.
Noam Chomsky, um dos pensadores mais respeitados do mundo, sempre alertou para os riscos da expansão da OTAN após o colapso da URSS. Ao invés de dissolver a aliança militar que justificava sua existência como defesa contra o bloco soviético, o Ocidente decidiu expandir sua zona de influência, incorporando países do antigo espaço soviético, um gesto que a Rússia entenderia, previsivelmente, como ameaça existencial.
“Imaginem o que os EUA fariam se o Pacto de Varsóvia se expandisse até o México ou o Canadá.”
Essa é a analogia que Chomsky usa, um espelho da crise dos mísseis em Cuba. A crítica não absolve Putin, mas acusa a arrogância do Ocidente de brincar com fogo em nome de seus interesses.
John Mearsheimer (Universidade de Chicago) afirma que os EUA são os principais responsáveis pela crise. A OTAN, ao cercar a Rússia, acendeu o pavio. Para o economista Jeffrey Sachs: “Não se trata de liberdade, mas de poder.” Para ele, a guerra virou negócio e a democracia, um pretexto. Chris Hedges, jornalista veterano, diz que o conflito é mantido vivo para alimentar a indústria armamentista e o controle simbólico do Ocidente. Alfred de Zayas, ex-relator da ONU, diz que houve responsabilidade de ambos os lados mas que a diplomacia foi sufocada por interesses geopolíticos.
4. Golpes com selo de liberdade
A tática de mudar regimes que incomodam os EUA não é nova. O rótulo muda. Antes era “ameaça comunista”, agora é “defesa da democracia”, “defesa dos direitos humanos” ou “combate à corrupção”. Mas a coreografia segue idêntica.
Em Honduras, em 2009, Zelaya, que se aproximava de Chávez, foi deposto. Hillary Clinton admitiu nos bastidores que “trabalhou para garantir a transição”. No Paraguai em 2012, Lugo sofreu impeachment relâmpago. Interesses do agronegócio e pressão silenciosa marcaram o processo. No Brasil, o impeachment de Dilma teve aparência legal, mas bastidores expuseram diálogos da Lava Jato com o Departamento de Justiça dos EUA. A Petrobras foi enfraquecida, Lula preso, e os EUA avançaram sobre setores estratégicos.
4. Elon Musk e o golpe na Bolívia
Durante os protestos e a queda de Evo Morales, Elon Musk tuitou: “We will coup whoever we want! Deal with it.”
(“Vamos derrubar quem quisermos! Aceitem isso.”)
A frase, dita ao ser criticado pela interferência americana na Bolívia, evidencia que a política externa é guiada por interesses econômicos. A Bolívia tem uma das maiores reservas de lítio do mundo, e Morales nacionalizava sua exploração. Após o golpe, o país foi reaberto ao capital estrangeiro. O comentário de Musk escancarou a fusão entre política, mercado e dominação.
5. O que esses golpes têm em comum
Países com recursos estratégicos ou localização geopolítica vital.
Atuação de ONGs e fundações pró-Ocidente (USAID, NED, Soros).
Mídia internacional molda a opinião pública: demoniza um, santifica outro.
Atuação do Departamento de Estado nos bastidores.
Narrativas de “liberdade”, “democracia”, “direitos humanos”.
6. A promessa rompida da OTAN
Após o fim da URSS, havia um acordo informal: a OTAN não se expandiria para o Leste. Essa promessa foi quebrada. A aliança se expandiu, a tensão aumentou, e a Ucrânia virou o campo de batalha. Não como protagonista mas como peça no tabuleiro.
7. O fósforo foi aceso antes
Putin é um autocrata brutal. Mas o fósforo foi aceso antes: quando Yanukovych foi derrubado, quando a mídia vendeu golpe como revolução, quando o Ocidente se fingiu de árbitro mas jogava o jogo.
8. Qual verdade você escolheu?
A guerra não começou com o primeiro tiro. Começou nas salas fechadas, nos acordos silenciosos, nos financiamentos obscuros. Começou quando palavras como “liberdade” viraram senha para invasões. E você que lê, compartilha, toma partido está lutando por justiça? Ou apenas repetindo o script que escreveram pra você?
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