Quem somos longe dos filtros, dos likes e dos olhos alheios?

Quem somos longe dos filtros, dos likes e dos olhos alheios?


O que faríamos com o Anel de Giges em tempos de performance


1. A velha pergunta


Se Platão perguntava o que faríamos com um anel que nos tornasse invisíveis, hoje a pergunta parece atualizada: quem somos quando estamos fora dos stories? Quem somos além da performance?


A metáfora do Anel de Giges, presente em A República, traz um dilema ético: somos justos por convicção… ou apenas por medo da punição?


2. O instinto e a reputação


O psicólogo Jonathan Haidt propõe que nossas decisões morais não nascem da razão, mas de intuições emocionais rápidas — geralmente ligadas à necessidade de manter nossa reputação.


Para ele, a moralidade não é um avanço racional, mas uma adaptação evolutiva para viver em grupo. Fazemos o bem para manter vínculos, não por princípios elevados. Queremos parecer bons — mais do que realmente ser.


3. A ciência também tem seu tempo


Mas essa visão diz tanto sobre o ser humano quanto sobre o tempo em que vivemos.


A ciência que descreve a natureza humana é filha da cultura que a produz.


Freud, ao afirmar que somos regidos por pulsões de agressividade e prazer, estava imerso na moral repressora da era vitoriana.


Outros autores contemporâneos — como Steven Pinker, Richard Dawkins e Michael Shermer — também partem da ideia de que o ser humano é impulsivo, egoísta e competitivo por natureza. A moral, nesse caso, funciona como um freio evolutivo ou institucional.

Mas não será essa uma visão marcada pelo espírito de nossa época — individualista, ansiosa e viciada em controle?


4. O vínculo como escolha


Contra essa leitura cínica, o economista Eduardo Giannetti resgata uma perspectiva diferente.


Ele retoma Platão, mas com uma virada: a ética não nasce do medo, mas do autoconhecimento.


Com o tempo, descobrimos que a liberdade total — fazer tudo o que se deseja — não conduz à felicidade, mas à solidão.


Ser ético, nesse sentido, não é reprimir o desejo, mas escolher o que nos enriquece como humanos. O vínculo é o que dá sentido à vida. É na convivência que nos tornamos inteiros.


5. O novo anel: a ética da performance


Se em Platão o Anel de Giges revelava o que faríamos longe do olhar do outro, hoje a lógica se inverteu: vivemos sob vigilância constante — e nos moldamos a ela. As redes sociais criaram uma nova moralidade: não a da consciência, mas a da visibilidade.


Fazemos o bem para o feed, não para o outro. A ética virou marketing. A bondade, uma estratégia de reputação.


Mesmo nossas intenções mais nobres são atravessadas por esse novo anel: o da performance pública.


Mas como escapar dessa lógica?


Eduardo Giannetti nos lembra que a ética não precisa nascer da punição nem da vigilância — mas da escolha consciente por vínculos verdadeiros.


Quando compreendemos que a liberdade total pode levar ao vazio, descobrimos que é na convivência — e não na encenação — que a vida ganha sentido.


A verdadeira ética, portanto, não é aquilo que mostramos. É o que escolhemos ser — mesmo quando ninguém está olhando. somos longe dos filtros, dos likes e dos olhos alheios?


Subtítulo: O que faríamos com o Anel de Giges em tempos de performance

1. A velha pergunta

Se Platão perguntava o que faríamos com um anel que nos tornasse invisíveis, hoje a pergunta parece atualizada: quem somos quando estamos fora dos stories? Quem somos além da performance?

A metáfora do Anel de Giges, presente em A República, traz um dilema ético: somos justos por convicção… ou apenas por medo da punição?

2. O instinto e a reputação

O psicólogo Jonathan Haidt propõe que nossas decisões morais não nascem da razão, mas de intuições emocionais rápidas — geralmente ligadas à necessidade de manter nossa reputação.

Para ele, a moralidade não é um avanço racional, mas uma adaptação evolutiva para viver em grupo. Fazemos o bem para manter vínculos, não por princípios elevados. Queremos parecer bons — mais do que realmente ser.

3. A ciência também tem seu tempo

Mas essa visão diz tanto sobre o ser humano quanto sobre o tempo em que vivemos.

A ciência que descreve a natureza humana é filha da cultura que a produz.

Freud, ao afirmar que somos regidos por pulsões de agressividade e prazer, estava imerso na moral repressora da era vitoriana.

Outros autores contemporâneos — como Steven Pinker, Richard Dawkins e Michael Shermer — também partem da ideia de que o ser humano é impulsivo, egoísta e competitivo por natureza. A moral, nesse caso, funciona como um freio evolutivo ou institucional.

Mas não será essa uma visão marcada pelo espírito de nossa época — individualista, ansiosa e viciada em controle?

4. O vínculo como escolha

Contra essa leitura cínica, o economista Eduardo Giannetti resgata uma perspectiva diferente.

Ele retoma Platão, mas com uma virada: a ética não nasce do medo, mas do autoconhecimento.

Com o tempo, descobrimos que a liberdade total — fazer tudo o que se deseja — não conduz à felicidade, mas à solidão.

Ser ético, nesse sentido, não é reprimir o desejo, mas escolher o que nos enriquece como humanos. O vínculo é o que dá sentido à vida. É na convivência que nos tornamos inteiros.

5. O novo anel: a ética da performance

Se em Platão o Anel de Giges revelava o que faríamos longe do olhar do outro, hoje a lógica se inverteu: vivemos sob vigilância constante — e nos moldamos a ela. As redes sociais criaram uma nova moralidade: não a da consciência, mas a da visibilidade.

Fazemos o bem para o feed, não para o outro. A ética virou marketing. A bondade, uma estratégia de reputação.

Mesmo nossas intenções mais nobres são atravessadas por esse novo anel: o da performance pública.

Mas como escapar dessa lógica?

Eduardo Giannetti nos lembra que a ética não precisa nascer da punição nem da vigilância — mas da escolha consciente por vínculos verdadeiros.

Quando compreendemos que a liberdade total pode levar ao vazio, descobrimos que é na convivência — e não na encenação — que a vida ganha sentido.

A verdadeira ética, portanto, não é aquilo que mostramos. É o que escolhemos ser — mesmo quando ninguém está olhando.


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