O que é o amor? 5 citações e 5 mitos

 O que é o amor?


5 citações e 5 mitos


Por Daniel Carvalho 


1. O que é o amor? Vozes da literatura


“Amar alguém é vê-lo como Deus o concebeu.”


— Fiódor Dostoiévski


“O amor é o castigo por sermos obrigados a conhecer o outro.”


— Franz Kafka


“Tenho medo de amar. Porque amar é dar ao outro o poder de nos destruir.”


— Caio Fernando Abreu


“O amor é a ilusão da união num mundo feito de solidão.”


— Virginia Woolf


“O amor não vê com os olhos, mas com o coração.”


— William Shakespeare


Essas vozes literárias revelam o que talvez seja a única certeza sobre o amor:

ele não é uma essência fixa, mas um sentimento que muda conforme quem o sente e conforme a cultura que o cerca.


É inútil definir o que é o amor, 

mas é possível desfazer alguns mitos que nos ensinaram sobre ele.


2. Mito #1: Amor e paixão são coisas diferentes por essência 


A ideia de que paixão é algo inferior, passageiro e imaturo e o amor é maduro, verdadeiro e duradouro tem raízes filosóficas e religiosas. Em Platão, já há uma hierarquização: a paixão, vinculada ao corpo e ao desejo, deve ser sublimada em busca de um amor ideal, espiritual. O Cristianismo radicalizou essa cisão: paixão virou sinônimo de pecado, e o amor foi elevado a virtude divina.  A psicanálise depois reforçou essa estrutura, tratando a paixão como fase instável, marcada pela projeção, enquanto o “amor verdadeiro” viria depois, com a aceitação da alteridade. A verdade é que na vida real amor e paixão se misturam, colidem, trocam de lugar. Nem sempre há clareza. 


3. Mito #2: O amor é universal


O que chamamos hoje de “amor romântico”: monogâmico, eterno, exclusivo, baseado em afinidades emocionais e sexuais é uma invenção recente, com raízes no século XII e consolidação no século XIX. Na Antiguidade, por exemplo, o amor não era associado ao casamento. Na Grécia, o desejo por um homem mais jovem era visto como forma de elevação espiritual. No Japão feudal, havia mais prestígio no vínculo homoafetivo entre guerreiros do que em relações com mulheres.


4. Mito #3: Amor platônico é sem sexo


Outro erro comum: achar que “amor platônico” significa um amor casto, idealizado e sem desejo. Para o filósofo, o amor (eros) começa no desejo pelo corpo, mas pode ser conduzido para além do físico, em direção à beleza da alma, das ideias, do Bem.  Não é ausência de desejo, mas sua sublimação. O problema é que ao longo dos séculos, esse pensamento foi distorcido, como se o amor verdadeiro tivesse que excluir o prazer uma herança do moralismo cristão.


4. Mito #3: Amor platônico é sem sexo


Outro erro comum: achar que “amor platônico” significa um amor casto, idealizado e sem desejo. Para o filósofo, o amor (eros) começa no desejo pelo corpo, mas pode ser conduzido para além do físico, em direção à beleza da alma, das ideias, do Bem.  Não é ausência de desejo, mas sua sublimação. O problema é que ao longo dos séculos, esse pensamento foi distorcido, como se o amor verdadeiro tivesse que excluir o prazer uma herança do moralismo cristão. 


5. Mito #4: O amor é naturalmente monogâmico


A ideia de que o amor verdadeiro deve ser exclusivo e para sempre é uma construção ocidental moderna. Em muitas culturas, o amor pode coexistir com múltiplos parceiros. O casamento por amor é um fenômeno recente. A monogamia foi mais uma exigência econômica ou religiosa, ligada ao controle da linhagem, da herança e do corpo das mulheres. Hoje, muitos ainda acreditam que amar alguém “de verdade” significa querer exclusividade eterna.



6. Mito #5: O amor materno é incondicional


A romantização do amor materno como instinto natural, puro e eterno é uma construção ideológica. Como mostra a historiadora Elisabeth Badinter, a ideia de que toda mulher nasce com um dom inato para amar e cuidar de seus filhos só se tornou dominante no século XVIII. Antes disso, o abandono de crianças era comum e socialmente aceito. A maternidade era mais uma função do que uma devoção emocional.


7. Novas formas de amar – Regina Navarro Lins


A psicanalista Regina Navarro Lins propõe um olhar libertador sobre o amor. Em seus livros, especialmente “Novas Formas de Amar”, ela argumenta que os modelos afetivos tradicionais estão em crise. As pessoas estão buscando mais liberdade, autonomia e verdade emocional. Repensar o amor sem as amarras da idealização romântica. Regina propõe relações baseadas em liberdade, autonomia, prazer e afeto sem posse nem controle.

Seu convite é direto: podemos amar de outros jeitos. E ser amados também.

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