Como a Guerra Sustenta a Economia dos EUA (e Destrói Sua Democracia)
Como a Guerra Sustenta a Economia dos EUA (e Destrói Sua Democracia)
A engrenagem militar que move o império e o corrói por dentro
Por Daniel Carvalho
1. O império que se disfarça de democracia
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota e adiar para outro século a felicidade coletiva. Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan. - Carlos Drummond de Andrade
Dizem que os Estados Unidos são a maior democracia do mundo. Mas, segundo o cientista político Chalmers Johnson, o país caminha não para o progresso, mas para o abismo — empurrado pelo peso de seu próprio império.
Diferente das potências coloniais clássicas, os EUA não dominam fincando bandeiras. Seu domínio é geopolítico, estratégico, invisível: mais de 700 bases militares espalhadas pelo planeta. Portos, aeroportos, radares, satélites e tratados silenciosos garantem a hegemonia.
Johnson chamou esse modelo de Império da Base — não sustentado por liberdade ou diplomacia, mas por mísseis, porta-aviões e operações clandestinas.
2. O custo interno do império
O que sustenta os EUA não é apenas o mito da liberdade, mas a militarização da economia e da política externa. Enquanto escolas públicas apodrecem e milhões vivem sem assistência médica básica, o orçamento militar se mantém intocável: mais de 800 bilhões de dólares por ano.
Isso não é sobre “segurança”. É um modelo de negócios.
Uma engrenagem de guerra que emprega milhões, financia campanhas eleitorais, pressiona o Congresso — e depende de inimigos. De conflitos. De instabilidade constante. É a guerra como plano de carreira.
3. Guerra eterna, paz impossível
Desde a Guerra Fria, os EUA adotaram uma doutrina clara: não permitir o surgimento de nenhum rival — regional ou global. Isso justifica guerras preventivas, intervenções, sanções, espionagem e golpes disfarçados de democracia.
Mas toda ação tem retorno. Johnson chamou isso de blowback: o retorno violento das próprias ações imperiais. O 11 de Setembro, por exemplo, não foi um ataque à “liberdade americana”, mas consequência direta de décadas de intervenção militar no Oriente Médio, no Afeganistão, no Irã.
O maior inimigo dos EUA, dizia Johnson, não está fora — está dentro.
4. A economia da destruição
Aqui está o ponto central para quem pensa economia: a supremacia militar dos EUA não é um desvio — é a engrenagem.
Ela mantém o dólar como moeda global, sustentado não apenas por confiança, mas por tanques. Garante acesso privilegiado a petróleo, rotas e minérios. Protege investimentos em zonas instáveis com a ameaça da força. E alimenta o complexo industrial-militar, que precisa de guerras como o mercado precisa de consumidores.
Os EUA são, ao mesmo tempo, polícia, banco e juiz do mundo. Mas como todo império, precisam de conflito constante para continuar respirando. E todo império respira o ar rarefeito do seu próprio colapso.
5. A democracia sitiada
Nenhum país pode ser uma democracia plena enquanto se comporta como império. Porque o império exige sigilo, mentiras, espionagem interna, vigilância, tortura e a criminalização da dissidência.
Transforma soldados em mercenários. Transforma o povo em refém do medo. Transforma guerras em “missões de paz”. E cria uma máquina de propaganda onde bombas são humanizadas e mortos são silenciados.
A democracia americana foi sequestrada pela lógica imperial. E sua liberdade — vendida como exportação — já não é exercida nem dentro de casa.
6. Conclusão: o império que ruirá por dentro
Chalmers Johnson previu: o império americano não cairá por ataque externo, mas por corrosão interna. Pela dependência do militarismo. Pelo esvaziamento da democracia. Pela arrogância que transforma o mundo em tabuleiro — e esquece que peças também se quebram.
Os Estados Unidos ainda são uma potência. Mas talvez também sejam um império em negação. Um império que repete os erros de Roma, do Reino Unido, da União Soviética — com a diferença de que exporta a guerra como entretenimento.
E como tudo que se sustenta sobre o medo, sobre a violência e sobre o lucro, um dia cairá.
Porque não há poder que resista à verdade quando ela se ergue da ruína.
a Guerra Sustenta a Economia dos EUA (e Destrói Sua Democracia)
Subtítulo: A engrenagem militar que move o império — e o corrói por dentro
Por Daniel Carvalho
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1. O império que se disfarça de democracia
Dizem que os Estados Unidos são a maior democracia do mundo. Mas, segundo o cientista político Chalmers Johnson, o país caminha não para o progresso, mas para o abismo — empurrado pelo peso de seu próprio império.
Diferente das potências coloniais clássicas, os EUA não dominam fincando bandeiras. Seu domínio é geopolítico, estratégico, invisível: mais de 700 bases militares espalhadas pelo planeta. Portos, aeroportos, radares, satélites e tratados silenciosos garantem a hegemonia.
Johnson chamou esse modelo de Império da Base — não sustentado por liberdade ou diplomacia, mas por mísseis, porta-aviões e operações clandestinas.
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2. O custo interno do império
O que sustenta os EUA não é apenas o mito da liberdade, mas a militarização da economia e da política externa. Enquanto escolas públicas apodrecem e milhões vivem sem assistência médica básica, o orçamento militar se mantém intocável: mais de 800 bilhões de dólares por ano.
Isso não é sobre “segurança”. É um modelo de negócios.
Uma engrenagem de guerra que emprega milhões, financia campanhas eleitorais, pressiona o Congresso — e depende de inimigos. De conflitos. De instabilidade constante. É a guerra como plano de carreira.
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3. Guerra eterna, paz impossível
Desde a Guerra Fria, os EUA adotaram uma doutrina clara: não permitir o surgimento de nenhum rival — regional ou global. Isso justifica guerras preventivas, intervenções, sanções, espionagem e golpes disfarçados de democracia.
Mas toda ação tem retorno.
Johnson chamou isso de blowback: o retorno violento das próprias ações imperiais. O 11 de Setembro, por exemplo, não foi um ataque à “liberdade americana”, mas consequência direta de décadas de intervenção militar no Oriente Médio, no Afeganistão, no Irã.
O maior inimigo dos EUA, dizia Johnson, não está fora — está dentro.
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4. A economia da destruição
Aqui está o ponto central para quem pensa economia: a supremacia militar dos EUA não é um desvio — é a engrenagem.
Ela mantém o dólar como moeda global, sustentado não apenas por confiança, mas por tanques. Garante acesso privilegiado a petróleo, rotas e minérios. Protege investimentos em zonas instáveis com a ameaça da força. E alimenta o complexo industrial-militar, que precisa de guerras como o mercado precisa de consumidores.
Os EUA são, ao mesmo tempo, polícia, banco e juiz do mundo. Mas como todo império, precisam de conflito constante para continuar respirando. E todo império respira o ar rarefeito do seu próprio colapso.
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5. A democracia sitiada
Nenhum país pode ser uma democracia plena enquanto se comporta como império. Porque o império exige sigilo, mentiras, espionagem interna, vigilância, tortura e a criminalização da dissidência.
Transforma soldados em mercenários. Transforma o povo em refém do medo. Transforma guerras em “missões de paz”. E cria uma máquina de propaganda onde bombas são humanizadas e mortos são silenciados.
A democracia americana foi sequestrada pela lógica imperial. E sua liberdade — vendida como exportação — já não é exercida nem dentro de casa.
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6. Conclusão: o império que ruirá por dentro
Chalmers Johnson previu: o império americano não cairá por ataque externo, mas por corrosão interna. Pela dependência do militarismo. Pelo esvaziamento da democracia. Pela arrogância que transforma o mundo em tabuleiro — e esquece que peças também se quebram.
Os Estados Unidos ainda são uma potência. Mas talvez também sejam um império em negação. Um império que repete os erros de Roma, do Reino Unido, da União Soviética — com a diferença de que exporta a guerra como entretenimento.
E como tudo que se sustenta sobre o medo, sobre a violência e sobre o lucro, um dia cairá.
Porque não há poder que resista à verdade quando ela se ergue da ruína.
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