As contradições morais do Espiritismo: culpa, relativismo e seletividade



O Espiritismo costuma se apresentar como uma doutrina racional e justa, que promove a evolução do espírito através da reencarnação, do livre-arbítrio e da lei de causa e efeito. Porém, ao analisar com mais atenção, fica evidente que essa estrutura esconde incoerências morais, julgamentos seletivos e uma visão simplista sobre liberdade e responsabilidade.


Espíritos criados ignorantes, mas responsabilizados


De acordo com O Livro dos Espíritos, todos os seres são criados “simples e ignorantes” e evoluem ao longo das encarnações. No entanto, o espiritismo afirma que o espírito já é responsável por suas escolhas desde cedo — mesmo quando ainda não tem consciência plena da gravidade de seus atos.


Essa lógica é contraditória: como responsabilizar um ser imaturo por erros cometidos quando ainda está aprendendo a distinguir o certo do errado?


Livre-arbítrio limitado


O espiritismo fala constantemente em “livre-arbítrio”. Mas ignora que as escolhas humanas são fortemente limitadas por fatores como:


Moral seletiva e julgamento disfarçado


Na prática, o espiritismo aplica uma moral seletiva. Comportamentos ligados ao corpo, como vício em sexo ou drogas, são frequentemente vistos como sinais de “desvio evolutivo”. Já vícios socialmente aceitos — como o consumo excessivo de açúcar, acúmulo de bens ou vaidade — raramente são questionados, mesmo que causem mais danos.


O julgamento moral não está baseado no impacto real dos atos, mas em valores herdados do cristianismo tradicional. Isso contradiz o discurso racional e progressista que o espiritismo afirma ter.


Ignora o relativismo moral


O espiritismo afirma que a “lei de Deus está escrita na consciência”. Mas a história mostra que a moral muda ao longo do tempo. Em Esparta, matar recém-nascidos considerados fracos era aceito. Durante séculos, a escravidão foi normalizada. Mães deixavam filhos na roda dos enjeitados. O que era considerado ético em uma época, hoje seria visto como crime.


Mesmo assim, o espiritismo insiste em aplicar uma moral eterna e invisível, como se existisse um código ético imutável. Isso desconsidera o peso da cultura, da época e do contexto.


A culpa disfarçada de evolução


O espiritismo diz que não existe pecado, apenas aprendizado. Mas, na prática, muitos centros espíritas reproduzem culpa, especialmente com pessoas marginalizadas. Atribuem sofrimento a erros de vidas passadas, mesmo sem nenhuma lembrança ou compreensão dos fatos. Isso gera passividade, julgamento e naturalização da desigualdade.


Frases como “você escolheu essa dor” ou “isso é uma prova para o seu espírito” funcionam mais como justificativa para o sofrimento do que como ferramenta de empatia ou transformação.


Conclusão


Apesar de se apresentar como uma doutrina racional e justa, o espiritismo precisa rever a forma como aplica seus conceitos de livre-arbítrio, moral e responsabilidade. É necessário reconhecer que nem todos têm as mesmas condições de escolha. Que a moral varia com o tempo e o contexto. Que o julgamento seletivo enfraquece a compaixão. Que a culpa, mesmo disfarçada de evolução, paralisa mais do que transforma.


Sem essas revisões, o espiritismo corre o risco de reproduzir as mesmas injustiças morais que ele se propôs a superar.


Livre-arbítrio limitado


O espiritismo fala constantemente em “livre-arbítrio”. Mas ignora que as escolhas humanas são fortemente limitadas por fatores como:

Genética e impulsos biológicos

Traumas e transtornos mentais

Ambiente familiar e social

Nível de informação e acesso à educação moral


A doutrina atribui responsabilidade espiritual sem considerar essas limitações. Isso gera culpabilização de pessoas vulneráveis, como se todos tivessem condições iguais de escolher com clareza.


Moral seletiva e julgamento disfarçado


Na prática, o espiritismo aplica uma moral seletiva. Comportamentos ligados ao corpo, como vício em sexo ou drogas, são frequentemente vistos como sinais de “desvio evolutivo”. Já vícios socialmente aceitos — como o consumo excessivo de açúcar, acúmulo de bens ou vaidade — raramente são questionados, mesmo que causem mais danos.


O julgamento moral não está baseado no impacto real dos atos, mas em valores herdados do cristianismo tradicional. Isso contradiz o discurso racional e progressista que o espiritismo afirma ter.


Ignora o relativismo moral


O espiritismo afirma que a “lei de Deus está escrita na consciência”. Mas a história mostra que a moral muda ao longo do tempo. Em Esparta, matar recém-nascidos considerados fracos era aceito. Durante séculos, a escravidão foi normalizada. Mães deixavam filhos na roda dos enjeitados. O que era considerado ético em uma época, hoje seria visto como crime.


Mesmo assim, o espiritismo insiste em aplicar uma moral eterna e invisível, como se existisse um código ético imutável. Isso desconsidera o peso da cultura, da época e do contexto.


A culpa disfarçada de evolução


O espiritismo diz que não existe pecado, apenas aprendizado. Mas, na prática, muitos centros espíritas reproduzem culpa, especialmente com pessoas marginalizadas. Atribuem sofrimento a erros de vidas passadas, mesmo sem nenhuma lembrança ou compreensão dos fatos. Isso gera passividade, julgamento e naturalização da desigualdade.


Frases como “você escolheu essa dor” ou “isso é uma prova para o seu espírito” funcionam mais como justificativa para o sofrimento do que como ferramenta de empatia ou transformação.


Conclusão


Apesar de se apresentar como uma doutrina racional e justa, o espiritismo precisa rever a forma como aplica seus conceitos de livre-arbítrio, moral e responsabilidade. É necessário reconhecer que nem todos têm as mesmas condições de escolha. Que a moral varia com o tempo e o contexto. Que o julgamento seletivo enfraquece a compaixão. Que a culpa, mesmo disfarçada de evolução, paralisa mais do que transforma.


Sem essas revisões, o espiritismo corre o risco de reproduzir as mesmas injustiças morais que ele se propôs a superar.


Genética e impulsos biológicos

Traumas e transtornos mentais

Ambiente familiar e social

Nível de informação e acesso à educação moral


A doutrina atribui responsabilidade espiritual sem considerar essas limitações. Isso gera culpabilização de pessoas vulneráveis, como se todos tivessem condições iguais de escolher com clareza.


Moral seletiva e julgamento disfarçado


Na prática, o espiritismo aplica uma moral seletiva. Comportamentos ligados ao corpo, como vício em sexo ou drogas, são frequentemente vistos como sinais de “desvio evolutivo”. Já vícios socialmente aceitos — como o consumo excessivo de açúcar, acúmulo de bens ou vaidade — raramente são questionados, mesmo que causem mais danos.


O julgamento moral não está baseado no impacto real dos atos, mas em valores herdados do cristianismo tradicional. Isso contradiz o discurso racional e progressista que o espiritismo afirma ter.


Ignora o relativismo moral


O espiritismo afirma que a “lei de Deus está escrita na consciência”. Mas a história mostra que a moral muda ao longo do tempo. Em Esparta, matar recém-nascidos considerados fracos era aceito. Durante séculos, a escravidão foi normalizada. Mães deixavam filhos na roda dos enjeitados. O que era considerado ético em uma época, hoje seria visto como crime.


Mesmo assim, o espiritismo insiste em aplicar uma moral eterna e invisível, como se existisse um código ético imutável. Isso desconsidera o peso da cultura, da época e do contexto.


A culpa disfarçada de evolução


O espiritismo diz que não existe pecado, apenas aprendizado. Mas, na prática, muitos centros espíritas reproduzem culpa, especialmente com pessoas marginalizadas. Atribuem sofrimento a erros de vidas passadas, mesmo sem nenhuma lembrança ou compreensão dos fatos. Isso gera passividade, julgamento e naturalização da desigualdade.


Frases como “você escolheu essa dor” ou “isso é uma prova para o seu espírito” funcionam mais como justificativa para o sofrimento do que como ferramenta de empatia ou transformação.


Conclusão


Apesar de se apresentar como uma doutrina racional e justa, o espiritismo precisa rever a forma como aplica seus conceitos de livre-arbítrio, moral e responsabilidade. É necessário reconhecer que nem todos têm as mesmas condições de escolha. Que a moral varia com o tempo e o contexto. Que o julgamento seletivo enfraquece a compaixão. Que a culpa, mesmo disfarçada de evolução, paralisa mais do que transforma.


Sem essas revisões, o espiritismo corre o risco de reproduzir as mesmas injustiças morais que ele se propôs a superar.

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