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Mostrando postagens de julho, 2025

Quem somos longe dos filtros, dos likes e dos olhos alheios?

Quem somos longe dos filtros, dos likes e dos olhos alheios? O que faríamos com o Anel de Giges em tempos de performance 1. A velha pergunta Se Platão perguntava o que faríamos com um anel que nos tornasse invisíveis, hoje a pergunta parece atualizada: quem somos quando estamos fora dos stories? Quem somos além da performance? A metáfora do Anel de Giges, presente em  A República , traz um dilema ético: somos justos por convicção… ou apenas por medo da punição? 2. O instinto e a reputação O psicólogo Jonathan Haidt propõe que nossas decisões morais não nascem da razão, mas de intuições emocionais rápidas — geralmente ligadas à necessidade de manter nossa reputação. Para ele, a moralidade não é um avanço racional, mas uma adaptação evolutiva para viver em grupo. Fazemos o bem para manter vínculos, não por princípios elevados. Queremos parecer bons — mais do que realmente ser. 3. A ciência também tem seu tempo Mas essa visão diz tanto sobre o ser humano quanto sobre o tempo em ...

Crônica de uma Democracia Interrompida

Crônica de uma Democracia Interrompida Como se desmonta um país sem usar tanques — bastam capas, togas e silêncio. 1. O Brasil que ousou sonhar Houve um tempo em que o Brasil acreditou que poderia ser mais do que uma eterna promessa tropical. Sede da Copa, das Olimpíadas, da diplomacia internacional. Criador de um banco multilateral com China e Rússia. Dono do pré-sal e da esperança de um futuro com escolas e hospitais. Um país que tirou milhões da miséria, elegeu uma mulher e reconduziu um operário ao poder com votação histórica. Mas esse sonho não cabia na lógica da Casa Grande. 2. O impeachment como farsa Não foi apenas um impeachment. Foi um ritual de restauração da velha ordem. A desculpa: pedaladas fiscais — prática comum entre presidentes. Mas Dilma era mulher. Era altiva. E era honesta. Isso bastou para torná-la insuportável. Eduardo Cunha, afundado em corrupção, puxou o gatilho. O Congresso foi palco de um espetáculo grotesco. Mas o golpe era maior que ele. 3. As razões não di...

Envelhecimento Gay: Verdades, Desafios e Novas Possibilidades

Envelhecimento Gay: Verdades, Desafios e Novas Possibilidades Como resistir à descartabilidade e reinventar a velhice sendo quem se é Envelhecer já é, por si só, um desafio. Mas, para homens gays que viveram à sombra da repressão, do estigma e da epidemia de AIDS, a velhice carrega camadas adicionais de invisibilidade, exclusão e silêncio. Vivemos, pela primeira vez, uma era em que muitos gays estão chegando à maturidade de forma visível — e essa geração pioneira levanta uma pergunta essencial: como envelhecer sendo gay com dignidade, saúde e pertencimento? 1. Sobreviventes da AIDS e a emergência de uma geração visível Durante as décadas de 1980 e 1990, a epidemia de HIV/AIDS devastou a comunidade gay. Milhares morreram ainda jovens. A perda foi profunda — pessoal, afetiva, cultural. Com o avanço dos antirretrovirais no final dos anos 1990, a AIDS deixou de ser uma sentença de morte e passou a ser uma condição crônica tratável. Isso permitiu que muitos homens gays vivessem — e envelhec...