Existe livre-arbítrio? Entre o impulso e a escolha, o que ainda é nosso?
Existe livre-arbítrio? Entre o impulso e a escolha, o que ainda é nosso? Por Daniel Carvalho A crença no livre-arbítrio é quase universal. Está no centro das religiões, que nos oferecem a salvação com base na escolha entre o bem e o mal. Sustenta o sistema jurídico, que só pune quem considera livre para decidir. E alimenta o imaginário moderno da autonomia: a ideia de que somos autores de cada escolha, mestres do próprio destino. Mas e se tudo isso for apenas uma narrativa reconfortante? E se, por trás da aparência de decisão, existirem forças invisíveis moldando nossos gestos? Nosso código genético.Nosso passado. Nosso corpo. Nosso medo. A ciência tem colocado o livre-arbítrio em xeque. Mas talvez o que ela nos oferece não seja o fim da liberdade e sim, uma liberdade mais estreita, mais honesta, mais possível. 1. Genética, trauma e cérebro: o terreno onde a escolha nasce A liberdade não nasce no vácuo. Genética: traços como impulsividade, agressividade, empatia ou instabil...